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Governança que protege pessoas protege pacientes

Foto do escritor: PBSP - Programa Brasileiro de Segurança do Paciente
PBSP - Programa Brasileiro de Segurança do Paciente
10 de set.
2 min de leitura

Os sistemas de saúde tornaram-se cada vez mais complexos. Incorporaram novas tecnologias, ampliaram a quantidade de informações disponíveis e aumentaram a velocidade das decisões clínicas. No entanto, muitas organizações continuam tratando indicadores como turnover, absenteísmo e presenteísmo apenas como temas administrativos.


Essa separação precisa ser revista.


A rotatividade elevada fragiliza equipes, dificulta a consolidação da cultura de segurança e reduz a continuidade dos processos assistenciais.


O absenteísmo altera escalas, aumenta a carga de trabalho dos profissionais presentes e amplia a variabilidade operacional.


O presenteísmo, por sua vez, mantém o profissional em atividade, mas reduz sua capacidade de atenção, julgamento e resposta diante de situações críticas.


Nenhum desses fenômenos acontece de forma isolada.


Eles refletem a maneira como o sistema organiza o trabalho, distribui recursos, apoia suas equipes e conduz sua liderança.


É exatamente nesse ponto que a governança se torna um componente essencial da segurança do cuidado.


Uma governança madura não monitora esses indicadores apenas para controlar despesas ou produtividade.


Ela procura compreender o que esses números revelam sobre a resiliência da organização, a sustentabilidade das equipes e a confiabilidade dos processos.

Quando o presenteísmo aumenta, a pergunta não deve ser apenas quantos profissionais continuam trabalhando.


Deve ser:

O que o sistema está produzindo para que pessoas permaneçam no trabalho sem conseguir exercer plenamente sua capacidade de cuidar?


Da mesma forma, o turnover não deve ser interpretado apenas como dificuldade de retenção.


Pode indicar perda de conhecimento, enfraquecimento das relações entre equipes e redução da capacidade adaptativa da organização.


A segurança do cuidado não depende exclusivamente de protocolos bem elaborados.


Ela depende da capacidade da governança de reconhecer sinais precoces de desgaste organizacional e agir antes que esses sinais se transformem em riscos para pacientes e profissionais.


Organizações que protegem seus profissionais fortalecem sua capacidade de aprender, inovar e responder aos desafios de um ambiente cada vez mais complexo.


Em saúde, cuidar das pessoas não é apenas uma responsabilidade institucional.

É uma estratégia para construir sistemas mais seguros, confiáveis e sustentáveis.

 
 
 

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